
MOACIR SANTOS
Ontem, ao comentar o álbum de Omara Portuondo & Chucho Valdés, eu citei uma frase de Nelson Cavaquinho - "me dêem as flores em vida". E ela cabe aqui novamente, graças a MÁRIO ADNET - mais um ilustre representante da maravilhosa família. Mário, obediente ao pedido de Nelson Cavaquinho, deu "as flores em vida" a MOACIR SANTOS quando, junto a outro grande músico, ZÉ NOGUEIRA, produiziu, arranjou e gravou boa parte da obra de MS no CD "OURO NEGRO". Também produziu um show antológico ao qual o gigante MOACIR compareceu, pouco antes de sua morte. ("Ouro Negro" vai ser postado aqui, brevemente). Se Moacir Santos tivesse nascido nos Estados Unidos, certamente teria o memso reconhecimento de Duke Ellington - cujo perfil em muito se assemelha ao de MOACIR SANTOS - o de compositor e arranjador prolífico de música extremamente sofisticadas. MOACIR SANTOS, antes mesmo do célebre conselho de Tom Jobim ("a saída para o músico brasileiro é o aeroporto"), já havia feito as malas e vindo para os USA. Ele mesmo declarou numa entrevista: "Estava ficando difícil viver no Brasil. Cheguei a pensar em colocar meu carro na praça". Radicado na Califórnia desde o
início dos anos 60, MS dedicou-se a compor trilhas sonoras, escrever arranjos e ensinar música. (Talvez seja mais conhecido aqui nos USA do que aí no Brasil.) Dito isto, vamos a alguns dados biográficos do GRANDE MAESTRO MOACIR SANTOS.
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MOACIR SANTOS
Moacir Santos, arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro, nasceu em Serra Talhada, Pernambuco, em 8 de abril de 1924 e faleceu em Pasadena, Cal. - USA, em 6 de agosto de 2006. MS iniciou sua carreira no sertão pernambucano como integrante de bandas. Na década de 1940 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi contratado pela Rádio Nacional. Algum tempo depois mudou-se para São Paulo, onde regeu a orquestra da TV Record, voltando logo em seguida para o Rio de Janeiro. Em 1967 foi para Los Angeles, convidado para a estréia mundial do filme "Amor no Pacífico", para o qual havia composto a trilha sonora. Foi e ficou lá mesmo, estabelecendo moradia fixa na região de Pasadena, na California, onde viveu
e morreu em 18 de Julho de 2006, uma semana antes de completar 80 anos. Mas a vida nos USa também não foi das mais fáceis no início e, para pagar o aluguel, Moacir tocava piano numa igreja batista, em Los Angeles. Também trabalhava como "músico fantasma", fazendo arranjos para filmes de Hollywood, sem receber créditos, até que um dia foi "descoberto" pelo pianista de jazz Horace Silver, que o conhecera na casa do pianista Sérgio Mendes. Horace Silver usou de todo o seu prestígio junto às gravadoras e abriu as portas do mercado americano para Moacir, que fez grandes discos pela Blue Note e pela Discovery, como "The Maestro" (1972 - indicado para o Prêmio Grammy), "Saudade" (1973) e "Carnaval dos Espíritos" (1975), hoje todos fora de catálogo (*). Moacir Santos era um virtuose: dominava o saxofone, a clarineta, o trumpete, o banjo, o violão e a bateria. Como compositor e arranjador foi um dos maiores mestres da renovação harmônica da música popular brasileira. Foi parceiro de Vinícius de Morais, e por ele homenageado na canção "Samba da Bênção", com Baden Powell, no célebre trecho em que recita: “Moacir Santos / tu que não és um só, és tantos / como este meu Brasil de todos os santos.” Prá encerrar - porque o espaço não é pequeno demais para a biografia do GRANDE MAESTRO MOACIR SANTOS, professor de
grandes músicos brasileiros como Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal e Sérgio Mendes, dentre muitos outros importantes nomes da música brasileira.
(*) NÃO SE PREOCUPEM: possuo todos esses álbuns e eles serão postados aqui, paulatinamente.
(**) Ah, mas VOCÊ JÁ OUVIU, (provávelmente sem saber que era dele) um arranjo fantástico de MS para um dos melhores sambas de DJAVAN - "CAPIM", (não me recordo o nome do álbum do Djavan - é aquele que tem "Samurai" e outras pérolas que considero da melhor safra do "Dijava"). Moacir escreveu o arranjo, regeu a orquestra e ainda cantou uma vocálise em tom muito grave - com voz de trombone.
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MOACIR SANTOS
The multi-instrumentalist,composer and arranger Moacir José dos Santos (better known as Moacir Santos) was born in 1926, (Serra Talhada, state of Pernambuco, Brazil). In 1948, he moved to Rio and initially worked as a saxophonist at Radio Nacional (Brazil's largest radio network at that time), where he rose to the ranks of arranger and conductor in the following two decades. In 1967, Santos left his native country and moved to Southern California, where worked extensively as musician, composer and arranger. In USA he recorded various phenomenal albums as a leader, as well. Although Mr. Santos is regarded as one of the most innovative Brazilian artists of all time, he did not receive the recognition that he truly deserves. Moacir Santos passed away in the year of 2003 at home, in Pasadena, Cal.
(CB)
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COMENTÁRIOS SOBRE O ÁLBUM:
"COISAS" foi o primeiro disco de Moacir Santos, lançado em 1965 pela gravadora Forma. Nele Moacir antecipa o que mais tarde seria denominado "samba-jazz". O disco é legendário e o seu conhecimento é indispensável para os que se interessam pela grande música que se fez nos maravilhosos anos dourados da música brasileira moderna, "pós-bossa-nova". A multiplicidade de timbres da orquestra, mesclando sons de fanfarra e bandas do interior ao das "big-bands" do Jazz, assim como a diversidade de "levadas" que vão desde o afoxé até o bolero, dão bem a dimensão do talento INDESCRITÍVEL do grande Moacir. Uma das suas "Coisas" a nº 2 foi gravada por Sérgio Mendes & Bossa Rio, no estupendo álbum "Você ainda não ouviu nada", frase que insiro aqui e agora, com referência ao álbum postado. OURO EM PÓ!
(*) Este LP foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o 23º melhor disco brasileiro
de todos os tempos.
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ALBUM COMMENTS: This is the legendary album “Coisas” by Moacir Santos, released in 1965. This album is considered as the seed of the "samba-jazz" style. It’s a seminal and wonderful album, that must be included among one of the best Brazilian recordings, ever.
(*) Rolling Stone Magazine (Brazilian Edition) ranked "COISAS" as the 23th best Brazilian LP, ever recorded.
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MOACIR SANTOS: COISAS
Label - Forma
Year - 1965
PERSONNEL:
- Faixas "Coisa nº 1, nº 2, nº 3, nº 4, nº 5 e nº 6":
Júlio Barbosa : Pistão
Macaé (Dulcilando Pereira) : Saxofone Alto
Luiz Bezerra : Saxofone Tenor
Geraldo Medeiros dos Santos : Saxofone Barítono
Edmundo Maciel : Trombone
Armando Pallas : Trombone Baixo
João Jerônimo de Menezes : Trompa
Copinha (Nicolino Cópia) : Flauta
Chaim Lewak : Piano
Claudio das Neves : Vibrafone
Geraldo Vespar : Violão
Gabriel Bezerra de Melo : Contrabaixo
Wilson das Neves : Bateria
Elias Ferreira : Ritmo
- Faixas "Coisa nº 7, nº 8, nº 9 e nº 10":
Giorgio Bariolla : Violoncelo
Peter Dauelsberg : Violoncelo
Watson Clis : Violoncelo
Júlio Barbosa : Pistão
Jorge Ferreira da Silva : Saxofone Alto
Moacir Santos : Saxofone Barítono
Chaim Lewak : Piano e Órgão
Geraldo Vespar : Guitarra
Gabriel Bezerra de Melo : Contrabaixo
Wilson das Neves : Bateria
Elias Ferreira : Ritmo
TRACKS/FAIXAS
01. Coisa nº4
02. Coisa nº10
03. Coisa nº5
04. Coisa nº3
05. Coisa nº2
06. Coisa nº9
07. Coisa nº6
08. Coisa nº7
09. Coisa nº1
10. Coisa nº8
DOWNLOAD (MEGAUPLOAD): AQUI
DOWNLOAD ALTERNATIVO (TURBO): AQUI
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