segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VITOR ASSIS BRASIL: DESENHOS [Re-up]



ACONTECEU NO VERÃO DE 1967...
Petrópolis, até o final dos anos 60, era uma festa nos verões. Desde o Presidente da República até os milionários e "colunáveis" cariocas, todos subiam a serra. Havia cultura no ar e a música rolava solta nos saráus quase que diários, patrocinados pela granfinagem. Além do legendário MUSICLUBE, cuja história merecia um livro, no "D´Ângelo" e no "Copacabana" você esbarrava com poetas, pintores, politicos, escritores, compositores, cantores, cineastas, boêmios e todos os nomes constantes das colunas sociais do Ibrahim Sued e do Maneco Muller (Jacintho de Thormes). O "point" do compositor e cronista Antonio Maria era outro: semanalmente, podia ser encontrado nas madrugadas do "Coringa" - um bar que não fechava nunca, pois não tinha portas... As "viniçadas", reuniões regadas a violão e muito "whisky" (nacional), em torno do poetinha, se sucediam a cada fim de semana. Carlos Lyra, Baden Powell, Dory Caimmy e os ainda desconhecidos Edu Lobo, Francis Hime, Nelsinho Motta, Olivia Hime eram alguns dos frequentadores mais assíduos dessas reuniões. Ao longo dos anos, houve diversos bares de "jazz" ("Coruja", "Cabana´s", "Samambar", "Pajoá",  e os dos clubes "Coral Concórdia"  e " Monte Líbano", entre outros) nos quais as canjas eram garantidas por músicos do calibre de Vitor Manga, Vitor Assis Brasil, Fernando Martins, Cláudio Caribé, Tenório Júnior, Antonio Adolfo, Sérgio Barroso, Edson Lobo, Fernando Martins, Eduardo Lobo, Aloysio Aguiar, Paulinho Sauer, Luizão Maia, Helio Celso e muitos mais. E foi numa noitada patrocinada pelo milionário Pedro Paulo Bocayuva Bulcão, em sua cinematográfica mansão, na Avenida Koeller, que aconteceu este hilariante episódio. Pedro Paulo contratou o quarteto de Vitor Assis Brasil para animar uma festa. Os componentes eram, além do Vitor: Aloysio Aguiar - piano, Roberto Gelli - bateria e o locutor que vos fala, no contrabaixo. Por volta das 22 horas, prevista para o início dos trabalhos, o Aloysio "mandou o Lima" - ou seja: não apareceu. Depois de tentarmos (em vão) localizá-lo, alguém lembrou que o Tenório estava hospedado na casa do João Jorge, (filho da Lúcia Proença, mulher do Vinicius e dona da mansão onde se realizavam as "viniçadas.) Mas àquela altura do campeonato, Tenório (em companhia de João Jorge) já estava envolto numa - digamos - "nuvem de fumaça", em estado "nirvânico", ouvindo Bill Evans e não aceitou o convite, apesar do interessante "cachê". Aí, nos lembramos que o pianista PAULINHO SAUER estava em Petrópolis. Telefonamos pra ele que, imediatamente, aceitou o convite. Fomos para o portão da mansão, junto com o dono da casa, para esperá-lo. Paulinho chegou agitado - como sempre - afobado, elétrico, excitadíssimo, o que só fazia aumentar sua proverbial gagueira. Ao passar pelo portão Paulinho viu que, lá do fundo do jardim, vinham correndo, ameaçadoramente, em sua direção, dois enormes "dobermans" e mais dois "filas brasileiros". Em pânico, perguntou ao dono da casa: "O-os ca-ca-cho-o-rro-os sã-sã-são fe-fe-rooo-zes? Mo- mor- dem?" Pedro Paulo, um tremendo gozador, mandou de volta, de bate-pronto: "Não, Paulinho, são mansos. MAS... DETESTAM GAGOS!" [Pano rápido]
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VITOR ASSIS BRASIL
Tenho um carinho todo especial por este álbum, o primeiro gravado por VAB. Assisti no estúdio, ao lado do grande Roberto Quartin, o dono da gravadora FORMA, um sujeito sensacional que, por seu amor á música, jamais se preocupou com o lado comercial, com o retôrno financeiro: seu único interêsse era a qualidade dos discos que produzia. Ademais, ali estavam meus grandes amigos EDSON LOBO e TENÓRIO JUNIOR - além de Vitor, é claro. Foi gravado direto, numa única sessão que começou por volta de 20 horas de uma noite e terminou às 5 da manhã do dia seguinte. Penumbra no estúdio, alguns poucos amigos presentes, "uisquinho", compondo um clima relaxante que se reflete na calma que o disco transmite. Grandes e saudosos momentos.
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VITOR ASSIS BRASIL
This is the first album recorded by Vitor Assis Brasil. I would say that the performance of the quartet is cool, soft, clean and classy; the repertoire comprises some of the most beautiful Brazilian tunes ever composed. The pianist is the legendary TENORIO JUNIOR who, sadly and by mistake, has been brutally anguished and assassinated in Buenos Aires by the police, during the years of Argentinian military dictatorship.
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MINHA OPINIÃO
Eu considero este álbum como o mais brasileiro de todos o que Vitor gravou. O repertório é lindíssimo, a performance do quarteto é contida, elegante, sem desperdício de notas ou acordes desnecessários. Certamente, alguns dos melhores improvisos de Vitor e Tenório, em toda a sua discografia, estão registrados neste disco onde também brilham Edson Lobo e Chico Batera. A valsa-jazz EUGENIE, de autoria de Vitor é de um lirismo comovente. OURO EM PÓ!
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VITOR ASSIS BRASIL: DESENHOS
Label: Forma

PERSONNEL:
Victor Assis Brasil - alto sax
Tenório Junior - piano
Edison Lôbo - bass
Chico Batera - drums


TRACKS/FAIXAS:
Side 1
1 - Naquela base (João Donato)
2 - Devaneio (Victor Assis Brasil)
3 - Primavera (Carlos Lyra - vinicius de Moraes)
4 - Simplesmente (Edison Lôbo)
5 - Feitiço da vila (Noel Rosa - Vadico)

Side 2
1 - Dueto (Victor Assis Brasil)
2 - Amor de nada (Marcos Valle-Paulo Sérgio Valle)
3 - Eugenie (Victor Assis Brasil)
4 - Minha saudade (João Donato-João Gilberto)
5 - Desenhos (Victor Assis Brasil)


3 comentários:

CARLOS BRAGA disse...

Download link:

http://www.mediafire.com/?ljixhfi886cfxsq

KL disse...

Roberto Quartin merece uma biografia, e os 35 discos da Forma já deveriam estar nas lojas, pois dos poucos que saíram a maioria são japoneses e caríssimos, entre os quais esse de VAB.

E que privilégio, mestre, assistir à gravação!

Abraço
KL

CARLOS BRAGA disse...

KL.
Já que vc gosta de colecionar minhas histórias: posso te asseverar que eu fui um dos primeiros a ouvir as gravações de Tom e Sinatra: o Quartin era amigo do peito de ambos - e eu tinha a sorte de ser amigo dele...
Quando chegaram as primeiras fitas com as gravações foi como se Jesus Cristo tivesse voltado...como se um milagre tivesse acontecido. Nenhum de nós, alguns anos antes, poderia imaginar que Sinatra viesse a gravar um álbum inteiro de músicas de um compositor brasileiro: afinal, ele nunca fez isso, com nenhum dos compositores americanos.

(*)Mas o começo da minha amizade com o Quartin foi meio tumultuado, pois estávamos empenhados em conquistar a mesma mulher...foi uma luta - digamos - encarniçada, que eu venci por pontos...
Mas durou pouco: o coração da moça era volátil e pouco depois debandou. Mas fiquei no lucro: a amizade do Quartin era (e foi) muito mais importante...
Um abraço.
CB