domingo, 11 de abril de 2010

THE AIRMEN OF NOTE AND SARAH VAUGHAN (1974)


SARAH VAUGHAN
Uma noite, em outubro de 1972, meu saudoso amigo e parceiro, ANTONIO CARLOS WERNECK, cantor e compositor, (irmão da cantora Iracema Werneck), bate à porta do meu apartamento, adentra e convoca: "Bicho, pega o violão e vamos pro Hotel Glória tocar para a SARAH VAUGHAN". De bate-pronto, mandei de volta: "Bicho: que foi que você bebeu, cheirou ou fumou? Ficou maluco?". Mas era verdade e lá fomos nós para o Hotel Glória e ali teve início uma longa amizade com Sarah. Nossa convivência durou muitos anos e não vou me alongar contando a história dessa amizade, porque a matéria daria pra escrever um livro. Mas vou narrar três "causos" engraçados.

[1] Sarah se apaixonou pelo Antonio Carlos e viveram um fugaz romance. Uma noite estávamos com um grupo de amigos no NUMBER ONE, legendário bar de Ipanema, o preferido dela, onde constamente dava memoráveis "canjas", acompanhada pelo piano de Osmar Milito - que ela adorava, ou por mim mesmo, ao violão. De repente, Antonio Carlos e Sarah desapareceram, só retornando umas 3 horas depois. Ele, de cabelo molhado, com cara de "cachorro que fez xixi no tapete" e ela (que não era nenhuma beldade) com o cabelo desgrenhado, roupa amarrotada, sem pintura. A turma de "amigos" - um bando de safados curiosos e de línguas ferinas - logo iniciou o questionário: "E aí malandro? Deu pra encarar?" "Como é que foi? Meteu uma fronha na cara da "negona"?" "Ou deu uma de violinista - virou a cara pro lado e mandou a vara?" E o Antonio Carlos, acendendo um cigarro, placidamente respondeu: "Que nada bicho: apaguei o abajour e pedi a ela pra cantar MY ONE AND ONLY LOVE". Gol de placa para as nossas cores.

[2] Antonio Carlos tinha uma fábrica de biscoitos em Petrópolis e fornecia para a Varig, que os servia aos passageiros da Ponte Aérea, junto com canapés e bebidas (na época das vacas gordas). Ele tinha uma entrega urgente para fazer numa certa sexta feira do mês de outubro de 1977, mas já havia combinado com SARAH e JOÃO DONATO, que iria buscá-los para passar o fim de semana em Petrópolis, na casa do nosso amigo JOSÉ CARNEIRO DIAS, onde Sarah usualmente se hospedava. Mas inverteu a mão e foi primeiro foi a Copacabana, onde já o esperavam SV e JD.(Como já cantou o poeta Vitor Martins numa parceria com Ivan Lins: "O amor tem feito coisas, que até mesmo Deus duvida"...) Sarah, que em suas "tournées" só andava de limousine, sem a menor cerimônia entrou na KOMBI sem ar condicionado e se misturou às caixas de biscoito, ao lado de JD (que por sua vez, nunca foi mesmo de frescuras). E lá se foram eles, sob um sol de rachar e um calor infernal de aproximadamente 40º, para a Avenida Brasil, no IRAJÁ, (pra quem não conhece, um bairro na Zona Norte do Rio de Janeiro), entregar a carga de biscoitos. Mas o detalhe final e mais importante para coroar a aventura: para agilizar as coisas, Sarah e Donato, singela e solicitamente, como se fossem um casal de "estivadores" AJUDARAM A DESCARREGAR AS DEZENAS DE CAIXAS DE BISCOITOS!!! Eu sempre me pergunto como ficaria cabeça de um fan de Sarah ou Donato, se por ali passasse e identificasse seus ídolos executando o trabalho braçal de carregar caixas de mercadorias de uma Kombi para o interior de um depósito.

[3] Em 1977, depois de escolher o repertório para gravar seu primeiro álbum no Brasil, Sarah me pediu para ensaiar cada música com ela. Fomos para minha casa em Petrópolis e eu pensei que a tarefa fosse levar pelo menos uma semana para acertar os detalhes. Ledo engano: em três dias Sassy já havia aprendido e dominado todas as melodias e harmonias, que tocávamos juntos - eu no violão e ela no piano. Para decorar as letras e dar o acabamento final, levou mais uns dois dias dias e pronto: tarefa concluída. Sarah tinha ouvido absoluto e sua facilidade para memorizar canções era extraordinária - coisa de gênios, como ela. Na madrugada em que gravou as músicas de Tom Jobim, o "Maestro Soberano" - incumbido de acompanha-la ao piano, já chegou ao estúdio adernado, com o "pote cheio" de uísque. Desabou num banco de madeira e, com a cabeça recostada num catálogo telefônico, dormiu por umas duas horas, enquanto Sarah esperava, pacientemente. Acordou, pediu umas cervejas (prá "rebater"), sentou ao piano e...o resto vc sabe: está no álbum - "O som brasileiro de Sarah Vaughan".

(*) Apesar de poder ser considerado"antológico", por ter sido o primeiro disco gravado por ela no Brasil, "O som brasileiro de Sarah Vaughan" não é um grande álbum. Os arranjos para orquestra, escritos por Edison Frederico (que nunca foi um bom arranjador) não estão à altura de SV e o repertório poderia ter sido bem melhor. Felizmente, com as "sobras" (faixas não incluídas no primeiro álbum), foi lançado o segundo álbum, intitulado COPACABANA que, na minha opinião, é superior ao "Som Brasileiro". Alguns anos depois SERGIO MENDES produziu - nos USA, um terceiro álbum, "Brazilian Romance".
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SARAH VAUGHAN & AIRMEN OF NOTE
This is a very rare album, recorded in 1974. Sarah performs 4 tunes, backed by the outstanding Airmen of Note. Pretty good stuff.
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MINHA OPINIÃO
Neste álbum SARAH VAUGHAN canta 4 faixas acompanhada pelos fantásticos AIRMEN OF NOTE. A performance de Sassy e da banda em "There will never be another you", com modulações incríveis, num tempo rapidíssimo é sensacional. Álbum raríssimo, peça para colecionadores.

(*) A qualidade da gravação não é das melhores mas, ainda assim, vale a pena conferir.
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THE AIRMEN OF NOTE AND SARAH VAUGHAN (1974)

THE AIRMEN OF NOTE
Dave Napier, Director

Woodwinds
Ernie Hensley, Alto
Gene Gaydos, Alto
John Dodge, Tenor
Roger Hogan, Tenor
Dave Napier, Baritone

Trumpets
Ken Smukal
Jim Lay
Dick Perry
Larry Trautman

Trombones
Dave Steinmeyer
Mike Smukal
Lee Robertson
Paul Rawlins or Dave Boyle

Rhythm
Rick Whitehead, Guitar
Gil Cray, Piano
Brent McKesson, Bass
Dave Palamar, Drums

TRACKS/FAIXAS:
01Love Touches Your Heart (3:06)
(R. Ortolani) arr. Bobby Sherwood
Sarah Vaughan, Vocal

02 Imagination (2:48)
(J. Van Heusan) arr. Roger Hogan
Dave Steinmeyer, Trombone

03 Half Unison (3:49)
(Mike Barone)

04 My Funny Valentine (5:57)
(Richard Rogers) arr. Benny Carter
Sarah Vaughan, Vocal

05 All Of Me (2:17)
(Simmons/Marks) arr. Bill Byers
Gil Cray, Piano

06 La Fiesta (3:59)
(Chick Corea) arr. Gil Cray
Gil Cray, Electric Piano

07 Misty (5:08)
(Errol Garner) arr. Dick Hazald
Sarah Vaughan, Vocal

08 Chicken Feathers (3:13)
(Pat Williams)
John Dodge, Tenor Saxophone

09 A House Is Not A Home (3:22)
(Burt Bacharach) arr. Roger Hogan
Rick Whitehead, Guitar

10 There'll Never Be Another You (1:20)
(H. Warren) arr. Benny Carter
Sarah Vaughan, Vocal

5 comentários:

CARLOS BRAGA disse...

DOWNLOAD LINK:

http://www.mediafire.com/?i0xyhtncymj

deGallo disse...

Airmen Of Note...what's with the low bit rate? Most of the music has been removed with this encoding. Any chance of a higher bitrate? Thanks

CARLOS BRAGA disse...

deGallo,
I have no spare time to deal with bitrates nor with any other kind of edition: I just make the links avaiable, the way I get them.
CB

KL disse...

o título desse livro (o sonho dos fãs de mestre CB - entre os quais, eu) deveria se chamar "Uma Diva Dormiu Lá em Casa", "Sassi e Eu" ou, quem sabe, "Sarah Vaughan, quem diria, acabou no Guarujá".

Abraço, amigo!
KL

phipsi disse...

Thank you so much for Sarah!