domingo, 27 de junho de 2010

LENY ANDRADE: Alma mia


Minha querida amiga LENY ANDRADE, de quem tive a honra de ser acompanhante, como violonista e contrabaixista, acaba de lançar um belíssimo CD de boleros: "ALMA MIA". Transcrevo abaixo um depoimento de Leny a respeito da gravação do CD e a resenha do competente crítico Mauro Ferreira opinando sobre o álbum.
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LENY ANDRADE: Alma mia
Lançado pela Fina Flor, CD sai com 14 anos de atraso. Se soa deslocado uma jazzista e bossanovista de primeira hora fazer um disco só de boleros, mais estranho ainda é que esse disco seja lançado pela gravadora Fina Flor, que é reconhecida como a mais ortodoxa trincheira do samba autêntico. Improvável, também, é pensar que esse disco era para ter sido lançado há 14 anos, por um produtor venezuelano. Sobre o contato com Ruy Quaresma, diretor da Fina Flor, e a possibilidade de lançar pela gravadora seu “Alma Mía”, Leny Andrade diz que ela própria, a princípio, duvidou que pudesse acontecer. Ela conta que foi por intermédio de Fernando Merlino, pianista, aranjador e produtor do disco, que essa parceria foi viabilizada. “Comentei com o Fernando, que trabalha comigo há muitos anos, sobre esse desejo de fazer um disco de boleros. Eu pensava que era uma dívida que eu tinha comigo mesma. Pois o Fernando foi lá falar com o Ruy, que é produtor de samba e, inclusive, lançou recentemente o novo disco do Nei Lopes, que eu adoro. Não pensei que fosse compatível, mas na hora o
Ruy topou”, diz, acrescentando que o diretor da Fina Flor apenas insistiu para que ela gravasse um música: “El Día Em Que Me Quieras”, de Carlos Gardel. “Eu falei para ele que essa música, na verdade, não era um bolero, era um tango, mas ele insistiu, disse que seria o único pedido que faria, e eu tive que inventar uma maneira diferente de fazê-la, mais para o bolero e com minha cara, porque é uma canção que já foi gravada uns 3 mil vezes”, aponta.Com relação à história do produtor venezuelano, ela hoje se diverte do insucesso da empreitada, há 14 anos, mas frisa que, na época, ficou muito irritada e desapontada. “Eu estava morando nos Estados Unidos e me convidaram para inaugurar o happy hour de uma churrascaria Porcão em Miami. Resolvi cantar boleros, porque achava que tinha a ver com Miami. Terminei o show do primeiro dia e daí me vem esse senhor, que se chama Chucho Sanoja, produtor famoso demais na Venezuela. Ele veio se sentar onde eu estava jantando com meus músicos e disse que queria fazer um disco comigo. Eu falei que teríamos que nos encontrar numa outra ocasião, talvez na Venezuela, para onde de fato fui, uma primeira vez, acertar as ciosas, já com um esboço de repertório”, conta. Ela diz que deixou com o tal Chucho cinco faixas pré-gravadas, e que ele quis que ela voltasse à Venezuela posteriormente para assinar contrato. Leny conta que o produtor, contudo, a partir desses primeiros contatos, ficou enrolando. “A gente ficava só nas conversas e o tempo foi passando, até que se foram dez anos. A verdade é que esse senhor se esqueceu de mim, caramba! Ele vai ficar tão apaixonado agora, quando receber o disco na casa dele, porque eu vou mandar, claro. Eu fiquei picada na época. Ninguém pode esquecer de mim sem dar satisfação. Passou esse tempo todo e o
disco está aí. Agora, rio eu e que chore ele”, diverte-se"
.

(*)Essa é a Leny..."marrenta" que só ela, jamais perde a pose de diva! ;-)
(CB)

Fonte: http://www.otempo.com.br/otempo/noticias
Daniel Barbosa
Publicado em: 07/06/2010
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LENY ANDRADE: Alma mia
Por ser gênero carregado de intensas paixões, o bolero é ritmo que joga cantoras na vala do sentimentalismo ralo. Mas Leny Andrade passa longe da cafonice em Alma Mía, CD em que se vale de sua categoria vocal e de sua vivência no México - onde morou de 1966 a 1971 - para interpretar 14 boleros de boa cepa. Na verdade, são 13 boleros, pois El Día que me Quieras (Carlos Gardel e Alfredo Le Pera) - o tema que abre o disco em versão arrebatadora - é tango que se transmutou em bolero ao longo dos tempos. Quem conduz Leny no passeio sem erros pelo passional gênero nascido ainda no século 19 é o pianista Fernando Merlino, produtor do disco e autor dos arranjos urdidos com dose exata de sopros e cordas. O piano de Merlino sobressai em alguns
registros, em especial no de Entonces (Arturo Castro), faixa de clima meio esfumaçado cuja introdução dispõe as cordas de forma inusitada em discos do gênero. Já Una Mañana é bolero temperado com leve molho cubano. A embalagem é refinada, mas a sofisticação maior reside no canto de Leny. Com a voz em forma, a intérprete acerta o tom exato de temas como Sabra Díos (Alvaro Carrillo), Vete de mi (Virgilio Expósito e Homero Expósito), Como Fue (Ernesto Duarte), Mía (Armando Manzanero), Nosotros (Pedro Junco) e Te me Olvidas (Vicente Garrido). Mesmo distante dos improvisos do habitual universo do samba-jazz, a cantora insere apropriados scats ao fim de Lluvia en la Tarde (Arturo Castro) sem trair o clima apaixonado do disco. E vale ressaltar que a seleção é interessante porque prioriza boleros menos batidos. O único senão do disco é uma certa linearidade reiterada à medida em que avançam as 14 faixas. O que não empana o brilho e o valor deste Alma Mía. Leny Andrade põe sua voz e sua alma brasileira - mas apegada ao México neste belo CD - a serviço de um gênero que vai sempre resistir ao tempo porque fala direto aos corações.

(*)O que o MF não disse é que UNA MAÑANA, nada mais é que o "blockbuster", MORNING, do grande CLARE FISCHER.
(CB)

FONTE: Blog do Mauro Ferreira
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MINHA OPINIÃO - que Leny Andrade adora boleros, todo mundo sabe: em grande parte dos seus álbuns ela sempre encaixou alguns "boleraços" de primeira linha. E desta vez foi fundo: gravou um álgum inteirinho, dando vazão à sua paixão. O álbum, sob a competente direção musical de Fernando Merlino, é item obrigatório para os fans de Leny. Naturalmente, não vou posta-lo aqui, enquanto estiver disponível comercialmente, mas não resisti à tentação de mostrar 3 faixas e recomendar aos admiradores de L.A. que comprem o CD, antes que se esgote, porque é OURO EM PÓ.
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LENY ANDRADE: Alma mia

TRACKS/FAIXAS:
1. El Dia que Me Queiras
2. Sabra Dios
3. Alma Mia
4. Lluvia En La Tarde
5. Un Poco Mas
6. Vete de Mi
7. Como Fué
8. Mia
9. Te Me Olvidas
10. Entonces
11. Eclipse
12. Nosotros
13. Llévatela
14. Una Mañana

UNA MAÑANA (MORNING)
(*) Só esta faixa já faria o CD valer a pena!



COMO FUÉ



ECLIPSE DE LUNA

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