

JOÃO DONATO & PAULO MOURA: Dois panos para manga
Bem que essa gravação podia ter sido feita naquele porão da Tijuca, onde se reuniam os membros do SINATRA-FARNEY FAN CLUB: Paulo Moura e João Donato eram dois dos jovens e intrépidos associados do legendário clube. Não por acaso, a ideia do
álbum surgiu no aniversário do diretor de TV Carlos Manga: sabendo que Donato estaria lá e que havia piano em casa, PM levou sua clarineta, pensando em relembrar os bons e velhos tempos do Sinatra-Farney Fan Club. O resultado aí está.
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ALBUM REVIEW
Foi numa festa na casa do diretor de TV, Carlos Manga, que João Donato e Paulo Moura decidiram se unir para gravar, pela primeira vez, um disco em duo. Era aniversário do diretor e, entre uma dose e outra de uísque, o anfitrião sugeriu a dupla que interpretasse alguns dos temas que os freqüentadores do Sinatra-Farney Fã Club degustavam em suas célebres audições na década de 50. Ali, nas lojas Murray, no centro do Rio, costumavam se reunir músicos e admiradores do samba e do jazz em encontros considerados por muitos como o próprio embrião da Bossa-Nova. Inspirados por tantas lembranças, Donato e Moura desfilaram, durante horas, para um grupo de seletíssimos convidados, algumas das músicas mais marcantes daquelas audições antológicas. É justamente esta a base do repertório de Dois Panos Para Manga, a partir da memória afetiva de João e Paulo, com uma mãozinha do diretor
homenageado no título. “Manga chegou a cantar, com voz de tenor, enquanto tocávamos nossas músicas preferidas daquele período. E até improvisou uma direção na hora”, diverte-se Donato. “O Carlos Manga era o presidente do Sinatra-Farney. Sem ele, nada
acontecia”, lembra Moura. A interação entre os músicos e o repertório era tanta, que o álbum foi gravado em menos de uma semana, em fevereiro deste ano, no estúdio AR, no Rio, somente com a clarineta de Paulo e o piano de Donato. O repertório inclui sete standards, além de dois temas – Pixinguinha no Arpoador e Sopapo - compostos pela dupla, especialmente para o disco. Dentre os clássicos do jazz – especialidade do fã clube – estão On a Slow Boat to China (Frank Loesser); Swanee (George e Ira Gershwin); That Old Black Magic (Harold Arlen e Johnny Mercer), em homenagem a Frank Sinatra; e Tenderly (Walter Gross e Jack Lawrence), um dos maiores sucessos de Nat King Cole. Do repertório brasileiro, há duas recriações de Braguinha, o João de Barro, sucessos dos anos 40: A Saudade Mata a Gente, em parceria com Antonio Almeida, e Copacabana, feita com Alberto Ribeiro; além de Minha saudade, parceria de Donato com João Gilberto, que possui um significado especial para Paulo: “Esta foi a primeira música com forma de Bossa-Nova que conheci. Gravei-a em meu disco de estréia, foi provavelmente a primeira gravação da música”, conta Paulo. As músicas inéditas, compostas a partir do encontro na casa de Manga (não por acaso localizada à rua Dick Farney, na Barra da Tijuca), são influenciadas do repertório em questão. Pixinguinha no Arpoador possui citações de temas conhecidos da música brasileira e internacional: “A inspiração surgiu quando nos encontramos na casa do Paulo e eu fiz uns acordes. Ele perguntou o que era, eu disse que nada, mas eram as primeiras notas de Carinhoso. Saímos tocando, até que virou um samba-canção parecido também com La vie em rose”, destrincha Donato. Sopapo foi criada no mesmo dia e batizada pelo clarinetista: “Sopapo é o nome de um tambor da região de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que me foi presenteado pelo percussionista Giba-Giba”. Coincidência ou não,
Pelotas é a terra natal de Ivone Belém, esposa de João, que assina a produção executiva do disco, junto com Halina Grymberg, mulher de Paulo: “É um tema cheio de alegria, qualquer criança entende. Além disso, de todas as emoções a alegria ainda é a minha favorita” – elege Donato.
Fonte: Biscoito Fino
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During a party at TV director Carlos Manga’s home, João Donato and Paulo Moura decided to work together and to issue a record in which they, for the first time, performed as a duo. It was Manga´s birthday and, while having a few drinks, the host asked them to play some of the themes which had once delighted the members of the Sinatra-Farney Fan Club in the auditions that were performed during the decade of the 50ies. The Murray Stores, in downtown Rio were then the meeting point for samba and jazz buffs, and such meetings have been regarded by many as the origin of Bossa Nova. During hours, and inspired by so many memories, Donato and Moura presented before a distinguished group of guests some of the songs mostly requested during those anthological auditions. And that is precisely the core of the repertory of “Dois panos para Manga”, based on the sentimental remembrances of João and Paulo,
with some hints from Manga. “He even sang a few tunes with his tenor voice and managed to improvise in certain passages while we were playing our favorite songs from that period”, remembers Donato. “Carlos Manga was the president of the Sinatra-Farney Fan Club and its driving force”, recalls Moura. The interaction between performers and repertory was so intense that this album was recorded in less than a week, in February last, at the AR studio, with the only presence of Paulo’s clarinet and Donato’s piano. The repertory includes seven classics and two new songs composed by them expressly for this album: "Pixinguinha no Arpoador", and "Sopapo". Among the jazz classics - favorites of the Fan Club members – are “In a slow boat to China”, (Frank Loesser); “Swanee” (George and Ira Gershwin); “That old black magic” (Harold Arlen and Johnny Mercer), as a tribute to Sinatra; and “Tenderly” (Walter Gross and Jack Lawrence), one of Nat King Cole’s greatest hits. In the Brazilian repertory, there are two re-creations of songs composed by Braguinha (João de Barro) that were great hits during the 40ies: “A saudade mata a gente”, in partnership with Antonio Almeida, and “Copacabana”, written together with Alberto Ribeiro. Also included are “Minha saudade”, by Donato and João Gilberto, and that has a special meaning to Paulo: “This was the first song in Bossa Nova format that I came across. I included it in first record. It probably was that music's first recording”, reports Paulo. The new songs, composed after the party in Manga’s home (not by chance located in
Dick Farney Street, in Barra da Tijuca), reflect the influence of this repertory's earlier ones. "Pixinguinha no Arpoador", contains passages with themes recurrent in Brazilian and international songs. “My inspiration came after visiting Paulo at his home and having played a few chords. He asked what those chords were and I answered that they were nothing, but in reality they were the first notes of ‘Carinhoso’. We kept on playing until it turned out to be a samba canção (samba with lyrics) somewhat resembling also “La vie en rose”, explains Donato. On that same day, “Sopapo” was written. Paulo gave it that name. “Sopapo is the name of a drum from the Pelotas region, state of Rio Grande do Sul, one of which was given to me as a present by percussionist Giba-Giba”. Coincidently or not, Pelotas is the native town of Ivone Belém, João’s wife, who together with Halina Grymberg, Paulo’s wife, is in charge of the executive production of this record. “Sopapo is a joyful theme that appeals to any child. Besides, joy is my favorite emotion”, concludes Donato.
* “Dois panos para mangas” makes a pun with the Brazilian idiomatic expression “dar panos para a manga" (which means “a lot to be said”, "a lot to occur”,” a lot f things that may happen”, and / or similar meanings) and the family name of director
Carlos Manga.
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MINHA OPINIÃO: depois de seu encontro no primeiro disco de JD ( “Chá Dançante - João Donato e seu Conjunto” - 1956), João Donato e Paulo Moura se reúnem pela segunda vez neste ´Dois Panos para Manga´, em que o piano do mestre JD é o único acompanhamento da clarineta do grande PM. No repertório, antigas canções e apenas duas novidades. Ao contrário do que se poderia esperar do encontro dos dois gigantes, o álbum é - até certo ponto - minimalista: nada de muito eloquente: sutilezas, delicadeza, silêncios, e simplicidade são o que vamos encontrar, em lugar de gratuita exibição de técnica ou virtuosismo exacerbado. Nada de arranjos intrincados e complexos: a música flui com naturalidade e simplicidade, como deve ter acontecido na festa, no re-encontro de velhos amigos. Pra sorte nossa, a gravação reproduziu esse despojamento. São apenas sete temas, três brasileiros e quatro “standards”, todos dos anos 50, tocadas sem arroubos de grandiloquência nem grandes pretensões, deixando uma gostosa sensação de que Paulo Moura e João Donato, naquele momento, faziam uma revisão do seu passado, com olhos de hoje. UM LUXO, UMA BELEZA!
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PAULO MOURA & JOÃO DONATO: Dois panos para manga
PERSONNEL:
João Donato - piano
Paulo Moura - clarineta
TRACKS/FAIXAS:
1. A Saudade Mata a Gente (Antônio Almeida / João de Barro)
2. On a Slow Boat to China (Frank Loesser)
3. Swanee (George Gershwin / Ira Gershwin)
4. Copacabana (João de Barro / Alberto Ribeiro)
5. Tenderly (Walter Gross / Jack Lawrence)
6. That Old Black Magic (Harold Arlen / Johnny Mercer)
7. Minha Saudade (João Donato / João Gilberto)
8. Pixinguinha no Arpoador (João Donato / Paulo Moura)
9. Sopapo (João Donato / Paulo Moura)
Um comentário:
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