quinta-feira, 5 de agosto de 2010

NARA LEÃO: Meus sonhos dourados


NARA LEÃO
Tal como Carly Simon, Boz Scaggs, Rod Stewart e Linda Ronstadt , NARA também gravou dois álbuns fantásticos, dedicados aos "standards" norte-americanos - a trilha sonora dos "anos-dourados-pre-bossa-nova" da sua juventude. Mas, diferentemente daqueles cantores, Nara e sua alma-gêmea, Roberto Menescal,decidiram dar uma "cor brasileira" aos álbuns. Para isso, depois de escolherem a dedo o repertório, encomendaram versões das letras originais a ilustres letristas como: Nelson Motta, Paulo Sérgio Valle, Pacifico Mascarenhas, Aloysio de Oliveira, etc. A própria Nara se encarregou de algumas versões, mostrando mais uma - até então, desconhecida - faceta do seu grande talento. E "Menesca" se incumbiu de "bossanovizar" as pérolas...
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NARA LEÃO
Nara nasceu em Vitória e mudou-se para a Cidade do Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão. Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo "Os Oito Batutas" de Pixinguinha. Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, em Copacabana. Mais tarde, Nara tornou-se professora da academia.
A Bossa Nova nasceu em reuniões no apartamento dos pais da cantora, em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e seu então namorado, Ronaldo Bôscoli. No fim dos anos 1950, Nara foi repórter do jornal "Última Hora", onde Bôscoli também trabalhava, e que pertencia a Samuel Wainer, casado com a irmã de Nara, Danuza Leão. O namoro com Bôscoli terminou quando ele a traiu e iniciou um caso com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Aires, em 1961. Daí em diante, Nara se reaproxima de Carlos Lyra, que rompera com Bôscoli em 1960, e de idéias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra e passa a se interessar pelo samba de morro. A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica. Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPC's já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro. Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto -- feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980. Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968. Já separada alguns anos de Ruy, ela casa-se com o cineasta Cacá Diegues, com quem teve dois filhos: Isabel e Francisco. No fim dos anos 1960, se muda para a Europa com o marido, permanecendo lá por três anos. Ela morou na França, na cidade de Paris, onde nasceu Isabel. No começo dos anos 1970, ela volta para o Brasil, tem o segundo filho, Francisco, e decide estudar psicologia na PUC-RJ. De fato, Nara planejava abandonar a música mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuindo o ritmo de trabalho e modificando o estilo dos espetáculos, pois era muito cansativa a vida de uma cantora. Morreu na manhã de 7 de junho de 1989 vítima de um tumor cerebral inoperável aos 47 anos de idade. Ela já sabia do tumor, e sofria com esse problema havia 10 anos. O tumor estava numa área muito delicada do cérebro, sendo inoperável. O último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.
(Fonte: wikipedia)
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ALBUM REVIEW
In this album, the legendary Brazilian singer NARA LEÃO performs a gorgeuous repertoire of "standards" with Portuguese lyrics, in the "bossa nova way". Her close friend Roberto Menescal -- another bossa-nova legend -- produced, arranged some tunes and played guitar. This is a must listen to, so: DON´T MISS IT!
(CB)
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MINHA OPINIÃO
Nara, pouco antes de partir, deixou registrada em dois álbuns (este e "My Foolish Heart") suas preciosas releituras dos grandes "standards", trilha sonora dos anos dourados por ela vividos em Copacabana. Versões são sempre uma armadilha e nem sempre o letrista consegue reproduzir fielmente o "espírito da coisa". De qualquer forma, o resultado - entre muitos acertos e vários desacertos - foi satisfatório e serviu como veículo para que Nara, com o auxilio-pra-lá-de-luxuoso dos arranjos de Roberto Menescal e Luiz Avellar, deixasse para a posteridade, devidamente "abrasileiradas", suas deliciosas interpretações deste "colar-de-pérolas". BELEZA PURA!

(*)Ah! Só não é "ouro em pó" porque algumas versões têm palavras demais (ou de menos) e nem semprem obedecem ao ritmo e à métrica originais. É curioso esse fenômeno: quando compõem "em português", com os seus parceiros, esses mesmos letristas não colocam uma sílaba fora do lugar. No entanto, ao se defrontarem com os "standards" norte-americanos, tropeçam, gaguejam, atravessam...Será o nosso famoso "complexo de vira-latas" ? Sim, porque o processo é exatamente o mesmo que ocorre em 90% dos casos: o compositor escreve a música e a entrega prontinha ao parceiro (letrista) para que este escreva e "encaixe" a letra. Ora: qual a diferença para - por exemplo - o Nelson Motta ou o Paulo Sérgio Valle "encaixarem" com precisão suas versões nas melodias de Gershwin ou Cole Porter, se eles o fazem com um pé nas costas, nas composições de Dori Caymmi e Marcos Valle - às vezes muito mais complicadas? Que mistério, não é mesmo?
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NARA LEÃO: Meus sonhos dourados

TRACKS/FAIXAS:
01 - Eu Gosto Mais do Rio (How About You) (Lane / Freed / Vrs. Pacífico Mascarenhas) - with excerpts of "Ela É Carioca" (Tom Jobim / Vinicius de Morais) and "Garota De Ipanema" (Tom Jobim / Vinicius de Morais)
02 - Um Sonho de Verão (Moonlight Serenade) (Miller / Parish / Vrs. Nara Leão)
03 - Garoto Levado (Lullaby Of Birdland) (Shearing / Foster / Vrs. Carlos Colla)
04 - Milagre (Misty) (Garner / Burke / Vrs. Ronaldo Bôscoli)
05 - Bobagens de Amor (Tea For Two) (Youmans / Irving Caesar / Vrs. Paulo Sergio Valle)
06 - Jamais (The Boy Next Door) (Martin / Blane / Vrs. Fátima Guedes)
07 - Além do Arco-íris (Over The Rainbow) (Arlen / Harburg / Vrs. Nara Leão)
08 - Aqui no Mesmo Bar (As Time Goes By) (Hupfeld / Vrs. Edmundo Souto)
09 - Coisas Que Lembram Você (These Foolishing Things) (Stracey / Marvell / Link / Vrs. Aloysio de Oliveira)
10 - Me Abraça (Embraceable You) (George Gershwin / Ira Gershwin / Vrs. Nara Leão)
11 - Como Vai Você (What's New) (Haggart / Burke / Vrs. Nara Leão)

2 comentários:

CARLOS BRAGA disse...

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Lisandro disse...

Exquisito!!... Gracias Carlos!!!