quinta-feira, 23 de setembro de 2010

BEBETO CASTILHO: Amendoeira

BEBETO CASTILHO
Não vou dizer nada: tá tudo aí embaixo...
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BEBETO CASTILHO
This is the second album solo of the legendary Brasilian musician and singer BEBETO CASTILHO. Bebeto plays saxophones, flute and bass and was a former member of TAMBA TRIO. Bebeto delivers -- with his cool singing style, that resembles Chet Baker -- a kind of emotional, subtle and kind music, that seems to be home made, very relaxing. Don´t miss it!
(CB)
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ALBUM REVIEW
Bebeto Castilho é um dos segredos mais bem guardados da música brasileira, que agora se revela. Sim, este CD solo como cantor (e flautista, e baixista, o que não é de jeito nenhum menos importante) do baixista e solista vocal do mítico Tamba Trio vai funcionar para a maior parte dos ouvintes como uma revelação. Para os outros, fãs como Caetano Veloso, autor do emocionado texto da contracapa, ou Milton Nascimento, que começou a cantar e a, não por acaso, tocar contrabaixo na noite para imitar o Bebeto do Tamba, será uma confirmação. Na verdade, este Amendoeira não é o primeiro disco solo de Bebeto. Mas o outro, um LP lançado pela Top Tape em 1976 e só relançado em CD na Inglaterra (pelo selo What Music), foi e é tão raro que este sim apresentará finalmente ao público brasileiro a arte de um cantor e músico que está no auge da forma, mais preciso e moderno do que nunca, aos 66 anos. E que arte é essa? Por que Caetanos, Miltons e toda uma geração de artistas da música brasileira celebram tanto este senhor? Por que músicos da novíssima geração, como o sobrinho de Bebeto, Marcelo Camelo dos Los Hermanos, e Kassin, que produziram este CD, ainda continuam a ouvir e a se influenciar por ele?
 - Primeiramente porque Bebeto é um cantor único no panorama do samba e da música brasileira em geral. Ele canta como toca flauta,  sem qualquer empostação, sem qualquer efeito exterior à música, sem qualquer interpretação, sem drama, apenas com as notas precisas, os graves, médios e agudos secos, precisos, com o colorido próprio da composição. Bebeto representa para a música brasileira (e para a flauta) o que Chet Baker foi para o jazz (e para o trompete).
-“Segundamente” porque Bebeto é um baixista único, sobretudo no baixo elétrico, com um suingue que se reflete inclusive na maneira com que divide a melodia quando canta. Embora sempre associado ao jazz e à bossa nova da Zona Sul carioca, Bebeto foi criado na Tijuca, bairro da Zona Norte, e é de lá que vem a sonoridade e o suinge tão característicos de seu baixo.
( "Quando eu era garoto, lá na Tijuca, dormia ouvindo o surdo do Salgueiro". O meu baixo vem daí, diz Bebeto).
- E, finalmente, porque Bebeto é também um flautista especial. Senão ouçam os solos deste disco, como o da introdução de Sabiá de Mangueira por exemplo, um sopro terno, carinhoso, tão ou mais preciso e doce que o canto do Bebeto.
O CD, produzido pelo sobrinho neto Marcelo Camelo com zelo de filho pela arte refinada de Bebeto e por Kassin, respeita integralmente a concepção musical de Bebeto a traduz. É calcado, por exemplo, na mesma formação instrumental do Tamba Trio: o baixo de Bebeto, a bateria de Ivo Moreira Caldas) e o piano de Laércio de Freitas (o popular Tio) , um gênio não só do instrumento como dos arranjos para orquestra. E neste disco Laércio toca, invariavelmente, o piano elétrico Fender Rhodes, de timbre inigualável e tão caro à música brasileira, o que remete mais à sonoridade do Tamba Trio dos anos 70 do que a do período acústico da década anterior. Os arranjos são do próprio Laércio, com exceção dos arranjos de cordas de Cabelos Cor de Prata e Beijo Distraído, do maestro e pianista Gilson Peranzzetta, e o de Gazela, do também pianista Alberto Chimelli, com quem Bebeto costuma tocar nas tardes de jazz na Modern Sound, a loja de discos de Copacabana.  Camelo mergulhou tanto no universo do tio que fez Amendoeira, inspirado em Salgueiro Chorão, samba de Durval Ferreira gravado no primeiro LP de Bebeto, e que também é uma “conversa” com uma árvore. Simples e musicalíssimo - como Bebeto, o disco Amendoeira é, por muitos motivos, histórico e revelador. E além de muito bom demais de se ouvir. Tentem parar...
Texto de HUGO SUKMAN, editado por CB

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É ainda com os olhos cheios de água que começo a escrever estas linhas sobre o disco de Bebeto. O cantor bissexto do Tamba Trio, que tanto nos maravilhava quando fazia uma aparição, e de quem desejávamos ouvir um album inteiro, realiza agora nosso sonho de adolescência com décadas de atraso mas, paradoxalmente, no tempo certo. E sua voz de hoje (quando eu próprio já tenho os cabelos cor de prata) é tão adolescente quanto éramos Milton, Gil, Gal e eu quando o ouvíamos pela primeira vez. A maturidade só reafirmou as qualidades inigualáveis do seu estilo: total ausência de ansiedade, desdramatização absoluta sem perda da poeticidade, imaculada naturalidade no trato com as notas musicais. O canto "cool" tem nele o exemplo mais perfeito que se possa imaginar. E é significativo que ele aqui comece com A Vizinha do Lado, um Caymmi típico do gosto bossanovista, e surpreenda com uma versão destilada de Infidelidade, um samba tão longe da bossa nova quanto é possível a um samba. Isso depois de passar pelo Sabiá de Mangueira. Seja nesses extremos, seja nos centrais Ora, Ora e Minha Palhoça (com o contraste de Das Neves confirmando tudo), seja nas belíssimas Beijo Distraído e Amendoeira, ele canta como flautista e como contrabaixista, como poeta simples e sábio calmo. A pureza da alma desse artista santo se revela em musicalidade virtuosa mas despojada. As mudanças que ele faz nas letras de algumas canções não parecem ser intencionais mas são conscientes: arredondam os sons das palavras para em relação ao seu fraseado – e trazem um traço de autobiografia, na medida em que sugerem que ele as cantava desse modo desde a mocidade. Milton Nascimento e eu sonhamos levar Bebeto a fazer um disco assim. Mas a juventude e o desembaraço de Marcelo Camelo foram mais adequados. Camelo também é mais próximo de Bebeto (biológica e musicalmente). Nossa gratidão (acho que posso falar por Milton também) é maior do que nosso ciúme. Este é um disco histórico e sagrado. É necessário ouvi-lo repetidas vezes. Para aprender e para purificar a alma.
Texto de Caetano Veloso
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MINHA OPINIÃO
Depois do Caetano e do Hugo, vou dizer o que? Ah, sim! Sempre sobra alguma coisa: a inédita "Beijo Distraído" do grande (e saudoso) Durval Ferreira & Regina Werneck, dá vontade de chorar, de tão bonita...
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BEBETO CASTILHO: Amendoeira

ARRANGEMENTS:
Laercio de Freitas (All tracks, except  5, 10 and 11)
Gilson Peranzzetta (Tracks 5 and 10)
Alberto Chimelli (Track11).

TRACKS/FAIXAS:
01 Vizinha do Lado (Dorival Caymmi)   
02 Sabiá de Mangueira (Bendito Lacerda / Erastófenes Frazão)
03 Ora Ora (Almany Greco / Eduardo Gomes Filho)
04 Infidelidade (Ataulfo Alves / Américo Seixas)
05 Beijo Distraído (Durval Ferreira / Regina Werneck) participação: Nina Becker
06 Amendoeira (Marcelo Camelo)   
07 Minha Palhoça (J. Cascata) particpação: Wilson das Neves
08 Porta do Cinema (Luiz Souza) participação: Marcelo Camelo
09 Pode Ser? (Geraldo Pereira / Marino Pinto) participação: Thalma de Freitas
10 Cabelos Cor de Prata (Silvio Caldas / Rogaciano Leite)   
11 Gazela (Arlette Neves / Bebeto Castilho)   
12 Porque Somos Iguais (Durval Ferreira / Pedro Camargo)

Um comentário:

CARLOS BRAGA disse...

DOWNLOAD LINK:

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