sexta-feira, 15 de abril de 2011
MARINA (LIMA): Maxine (a.k.a. Doida de Rachar)
A cantora MARINA (LIMA), em seu LP "TODAS" (1982), sempre antenada com o melhor do "pop", sucumbiu aos encantos de "MAXINE" e rendeu sua homenagem a DONALD FAGEN, gravando este excelente "cover", que na sua versão para o português, recebeu o título de "DOIDA DE RACHAR".
(*)Um pequeno detalhe: o arranjador NICO REZENDE não percebeu um requintado detalhe no caminho da harmonia original e mudou UM ACORDE, exatamente onde a letra diz: "...melhor preparar" e nas subsequentes repetições do mesmo trecho. O acorde original "Ab7(9#)" foi, impropriamente substituído por "GMaj7". O detalhe (quase imperceptível para os "ouvidos comuns") faz grande diferença, porque a surpresa e a sofisticação da linha harmônica original se perderam num corriqueiro acorde, que Donald Fagen evitou. Mas, a não ser por esse pequeno detalhe, algumas alterações na linha do contrabaixo e a omissão de um acorde de passagem, "EbMaj7" em outro trecho (a qual, todavia, não causa nenhum dano à harmonia) a transcrição está bem próxima do original.
(**) E antes que você me pergunte como sei disso, lá vai a resposta: [a] me apaixonei por "Maxine" e ouvi exaustivamente a gravação, direto do LP, dezenas de vezes, copiando nota por nota, acorde por acorde, até obter uma transcrição completa. [b] Exatamente aquele acorde, naquele trecho, foi o que levou mais tempo para eu "decifrar", pois a lógica indicava o acorde que o Nico Rezende utilizou. Era o caminho harmônico óbvio e corriqueiro, que Donald Fagen evitou . [c]Anos depois, através da Net, obtive um "midi" da gravação original. Conferi com minha transcrição e estava igualzinho. [d]Não tenho "ouvido absoluto", que é um dom inato; mas, nos "jurássicos" anos 50/60, quando passei a me dedicar à música, não havia "songbooks", partituras e muito menos internet. Então, o OUVIDO era a principal ferramenta do músico e o meu, felizmente e sem falsa modéstia, é privilegiado. Ao longo dos anos, desenvolvi a capacidade de perceber qualquer caminho ou alteração harmônica, sem precisar consultar o piano ou o violão: vou ouvindo e "tocando" a harmonia, mentalmente. Pode parecer "marra" mas não é não: é uma mistura de dom natural com exercício - coisa normal para qualquer bom músico.
(***) Certamente, o erro do Nico Rezendo deve ter sido cometido por pressa ou momentânea desatenção, porque bastava atentar para a linha do baixo e perceber que naquele(s) trecho(s) havia algo diferente. Mas, falta de competência, definitivamente NÃO FOI, pois ele fez o mais difícil: reproduzir com fidelidade, quase todo o complexo arranjo - só omitindo os acordes apontados ali em cima.
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