terça-feira, 13 de maio de 2008

EDISON MACHADO É SAMBA NOVO


EDISON MACHADO
A postagem deste álbum, embora já estivesse programada, foi antecipada, em face do comentário do LUIZ HARDING, ao dizer que: (1) este álbum é melhor que o 'Você não
ouviu nada';(2) que o Edison Machado toca com mais raça e balanço que naquele album;(3) que o TENÓRIO JUNIOR é melhor que o SÉRGIO MENDES. Vou contra-atacar, pela ordem: (1) eu acho que este álbum é TÃO BOM QUANTO AQUELE, e que ambos são excelentes. (2) Não há qualquer dúvida: a performance do Edison Machado neste álbum é muito mais exuberante. E existe uma razão para isso: no 'Você ainda não ouviu nada' ele é coadjuvante e neste ele é a 'estrela' e líder do grupo. (3) Quanto à comparação entre o SM e o TJ eu discordo: ambos estão no mesmo nível de excelência, embora os estilos sejam diferentes. Eu toquei contrabaixo com Sérgio em várias ocasiões, no 'Petit Paris' (Niterói), 'Little Club' (Rio), 'Pajoá' (Petrópolis); tinha que
tocar no estilo 'walking bass' (Ray Brown, Charles Mingus) para acompanhar a 'pegada' SM, na linha do Horace Silver. Com o Tenório toquei muito mais tempo, nas 'Viniçadas' e no 'Cabanas' (Petrópolis), 'Manhattan' e 'Little Club' (Rio), entre outros. Eu tinha que emular o estilo inovador de Scott LaFaro, pois o piano do TJ era de nítida inspiração de Bill Evans e Denny Zeitlin. Mas, na minha opinião, o jogo termina empatado, pois SM & TJ são dois dos maiores pianistas de sua fantástica geração. Agora, no quesito CARÁTER, o Tenório dá um banho: era elegante, educado, gentil, afável - exatamente o oposto do SM que não é portador de nenhum destes atributos.
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EDISON MACHADO
A bossa nova gerou expoentes em quase todos os instrumentos. O carioca do Engenho Novo Edison Machado (1934-1990), egresso da escola das gafieiras, foi um de seus principais heróis da bateria. A ele atribui-se a criação do chamado samba no prato por conta de uma caixa que furou num certo baile em seu bairro em 1949, e ele continuou tocando só no prato e tambores. Quando chegou no Beco das Garrafas, reduto da bossa nova em Copacabana, brilhou integrando um dos melhores trios formados na época, o Bossa Três, ao lado de Luís Carlos Vinhas (piano) e Tião Netto (baixo), além do Sexteto Bossa Rio, liderado por Sérgio Mendes. Também formou o Rio 65 Trio, ao lado de Dom Salvador (piano) e Sérgio Barroso (baixo). O baterista ainda liderou uma poderosa big band em “Edison Machado É Samba Novo”. Nesse grupo participavam nos sopros, Moacir Santos, Paulo Moura, J.T. Meirelles, Maciel e Raulzinho, o pianista Tenório e o baixista Tião Netto. Com o recrudescimento da ditadura e a debandada de músicos para o exílio desfez-se o que restava da bossa nova e a vida para músicos como Edison ficou mais difícil. Em 1976 , ele foi para os Estados Unidos, onde ficou 14 anos e gravou com Chet Baker e Ron Carter e com seu grupo Lua Nova apresentou-se em vários festivais de jazz. Só retornaria ao Brasil em 1990. Montou um sexteto para curta temporada na boate People, com os experientes Edson Maciel (trombone), Macaé (sax tenor), Paulo Roberto Oliveira (flugelhorn e cornet), Luís Alves (baixo) e Luís Paiva (piano). Edison já não utilizava mais os pedais da bateria, mas os shows foram a apoteose final de uma trajetória cintilante ceifada pela estreiteza do mercado.
Ele morreria em Niterói de um enfarte fulminante, três meses depois, no dia 15 de setembro.
(Fonte: “As baquetas explosivas da bossa”, Tárik de Souza e Nana Vaz de Castro)

(*)EDISON MACHADO & JOÃO DONATO foram proprietários de um bar em Petrópolis - o 'BREGUETS', que ficava no sobrado de um prédio. Em baixo ficava um...posto de gasolina! Apesar do sensacional grupo fixo que tocava no bar - Donato, piano; Edison, bateria; Manoel Gusmão, contrabaixo; Oberdan Magalhães, saxophones; Marku Ribas, voz e percussão; Miúcha, voz - a casa teve vida curta e muito movimentada. Era freqüentada por músicos que subiam a serra para memoráveis 'canjas' que relembravam o 'Beco das Garrafas' mas não pagavam a conta...O insucesso comercial do empreendimento era previsível, pois é inimaginável que EM & JD pudessem ser eficientes no trato com bancos, fornecedores, cobrança e pagamento de contas e demais atividades inerentes
ao ramo. Mas rendeu uma quantidade enorme de 'causos' e situações hilariantes.
(CB)
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ALBUM COMMENTS
This is a great 'samba-jazz' album, recorded by a dream team of Brazilian musicians, led by EDISON MACHADO, considered as the best brazilian drummer of all times. Here we find a handful of fine 'samba-jazz' themes, penned by J.T. Meirelles and Moacir Santos, along with some 'bossa-nova' tunes. This is a 'must have' album, with astounding arrangements, showing how deeply 'bossa-nova' and jazz influenced each other.
AMAZING!
(CB)
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EDISON MACHADO É SAMBA NOVO

PERSONNEL:
Edison Machado-bateria
Tenorio Jr -piano
Sebastião Neto-baixo
Paulo Moura-sax alto
Pedro Paulo-trumpete
Ed Maciel-trombone
Raul de Souza-trombone
J. T. Meirelles -sax tenor

TRACKS/FAIXAS:
01 - Nanã (Moacir Santos / Clóvis Mello)
02 - Só Por Amor (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
03 - Aboio (J. T. Meirelles)
04 - Tristeza Vai Embora (Baden Powell / Mário Telles)
05 - Miragem (J. T. Meirelles)
06 - Quintessência (J. T. Meirelles)
07 - Se Você Disser Que Sim (Moacir Santos / Vinicius de Moraes)
08 - Coisa Nº 1 (Moacir Santos / Clóvis Mello)
09 - Solo (J. T. Meirelles)
10 - Você (Rildo Hora / Clóvis Mello)
11 - Menino Travesso (Moacir Santos / Vinicius de Moraes)

DOWNLOAD: AQUI


(*)Fonte: EDISON MACHADO BY LUIZ HARDING (http://edisonmachado.blogspot.com)

3 comentários:

Unknown disse...

Parabéns, Carlos, pelo belo trabalho que você está fazendo em prol dos músicos importantes brasileiros. Fico muito feliz com isso. Gostaria de fazer uma pequena observação. O grupo do Edison Machado em Nova York chamava-se Boa Nova, e não Lua Nova como está no texto "As baquetas explosivas da bossa”, de Tárik de Souza e Nana Vaz de Castro. Um abraço e muito sucesso.
Haroldo Mauro Jr.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Carlos, sobre o segundo item do seu "contra-ataque" aos comentários do Luiz, tenho algo a esclarecer. Tanto você e ele, e eu também, todos concordamos que o Edison está muito mais solto no EM é Samba Novo. Mas a razão disso não é o fato dele ser coadjuvante no disco do Bossa Rio. O próprio Edison me contou, e eu o vi contando a outros amigos também, que o Sérgio Mendes é que impôs os limites. Ele não podia se expandir muito, por motivos comerciais. Por isso tocou amarrado. Você pode constatar que nem todos os discos em que ele figura como coadjuvante, ele toca preso. Um exemplo é o "Samba eu canto assim" da Elis Regina, no qual ele desce o sarrafo. Um outro está nas faixas Opinião e Acender as Velas, no disco da Nara Leão.
Abs, Haroldo Mauro Jr.