
SÉRGIO MENDES & BOSSA RIO
Texto da contracapa, por ANTÔNIO CARLOS JOBIM.
Certo dia, lá vinha eu da cidade, naquela hora impossível. Anda, pára, anda mais um pouquinho e, aí pára um tempão. Por impaciência, liguei o rádio: o que veio foi um piano , lindo, tocado com gosto de menino que descobriu um pé de jabuticaba. E, lá do alto da árvore, ele ri um riso inexplicável. Meu Deus, a música existe, o amor existe, Deus existe, quem é este cara? Para onde vão essas vozes todas? Não sei, mas sei que vão lindas. De repente, acabou a música. Catei os meus pedaços e fui, anda, pára, anda - fui para casa. Mas aquele som ficou ficou e, mais tarde, vim a conhecer quem estava tocando. SÉRGIO MENDES é um tremendo músico. Já tocou piano para todo o Brasil e também na Europa e nos Estados Unidos. Onde quer que este moço se
sente, num piano, todo mundo fica sabendo que está diante de um músico extraordinário. Sua carreira está se iniciando e sei que ele vai muito longe. Além de ser um intuitivo, é um estudioso. Coisa rara, pois, geralmente, os intuitivos ficam só intuitivos e os estudiosos seguem estudiosos. Agora, tive o prazer (o sofrimento) de colaborar com ele neste disco. E foram mil noites sem dormir e café e cigarros. Depois, eu ia levar SERGINHO até a Praça 15. Comprávamos os jornais do dia, enquanto vinha chegando a barca que o levava de volta à sua Niterói. Não sou profeta, mas creio que este disco, produto de muito trabalho e amor, abra novos caminhos no panorama da nossa música.
Ipanema, verão de 64 - ANTONIO CARLOS JOBIM
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SÉRGIO MENDES & BOSSA RIO
This album is considered by many historians as the most important recording of 'samba-jazz' or 'hard-bossa-nova' style. Here we face splendid arrangements penned by TOM JOBIM and MOACIR SANTOS. Outstanding is the fact that said 'jazz flavoured' charts resemble some of the great american jazz combos, (Horace Silver, Art Blakey et al) - what is not common in Mr. Jobim´s writings, usually very soft and light, too far from the jazz idiom. AMAZING, just to say the least.
(CB)
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COMENTÁRIO SOBRE O DISCO
Neste registro de 1963, o pianista niteroiense, recém-chegado do lendário show no Carnegie Hall (Nova York), ergue um dos pilares originais do samba-jazz (pilar este que seria revisto e ampliado por J.T.Meirelles e sua gangue alguns anos depois).
Disco há muito cultuado, aqui e no exterior, Você Ainda Não Ouviu Nada! é um autêntico marco na evolução da música instrumental brasileira pós-Bossa Nova. Infinitamente sofisticado, mas ainda assim pleno de suingue, o Bossa Rio (Tião Neto, baixo; Edison Machado, bateria; Edson Maciel, Raul de Souza e Hector Costita, metais) trata aqui de reinventar futuros clássicos da bossa, temas originais de Mendes e - rufem os tambores - apresentar em primeira mão dois standards do maestro Moacir Santos. O qual, por sinal, está presente no álbum como arranjador (ainda que a maioria das faixas tenham arranjos conjuntos de Mendes e Tom Jobim). Prodígio de fluidez, o grupo mantém a coesão e o pulso sambísticos mesmo nas maiores viagens -
observe-se que, nas liner notes originais, o álbum é tratado sempre como um disco de samba. E o é: samba de refinamento ímpar e riqueza instrumental, mas sempre samba. Que retorna neste fino relançamento da Dubas, remasterizado e com a parte gráfica inteiramente restaurada. Quarenta e cinco anos depois, Você Ainda Não Ouviu Nada! soa bem fresquinho. As jobinianas Ela É Carioca, Amor em Paz e Desafinado ganham
balanço todo próprio, gingado, sempre no contraponto entre o baixo e a infernal técnica de Edison Machado. Mas tudo se cristaliza mesmo nas versões de Garota de Ipanema e Corcovado - arranjos e estilo que já fazem parte do inconsciente coletivo da bossa. Igualmente antológicas são as passagens do grupo por Coisa Nº2 e a entortante Nanã, ambas de Moacir Santos, ou o groove impagável de Neurótico, do já citado Meirelles. Um mérito de Sergio Mendes - além do ter reunido este time de feras e concebido o álbum - reside em suas composições, Nôa...Nôa e Primitivo. Em meio a tantas pérolas, o par de temas não soa menor ou menos balançante que os outros.
(Marco Antonio Barbosa - http://cliquemusic.uol.com.br)
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MINHA OPINIÃO: Tudo neste álbum é perfeito, desde a escolha do formidável repertório, um punhado de pedras preciosas da lavra de Tom Jobim, Moacir Santos, Meirelles e Sérgio Mendes. O 'groove', a 'pegada', os alucinantes blocos instrumentais em alta velocidade, os improvisos, enfim, tudo é sensacional. E mostra o lado 'jazzístico' do maestro soberano que perdeu a cerimônia, deixou de lado platitudes 'debussyanas' e entrou de sola no 'bebop'. Os arranjos de MOACIR SANTOS para NANÂ e COISA Nº 2 têm a sua inconfundível 'impressão digital'. Coisa de gente grande.
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SÉRGIO MENDES & BOSSA RIO: VOCÊ AINDA NÃO OUVIU NADA
PERSONNEL:
Sérgio Mendes - piano
Edison Machado - bateria
Raul de Souza - trombone
Edson Maciel - trombone
Hector Costita -sax tenor
Sebastião Neto - baixo
Aurino Ferreira - sax tenor
TRACKS/FAIXAS
01. ELA É CARIOCA
02. AMOR EM PAZ
03. COISA N° 2
04. DESAFINADO
05. PRIMITIVO
06. NÃNÃ
07. CORCOVADO
08. NOA NOA
09. GAROTA DE IPANEMA
10. NEURÓTICO
DOWNLOAD: AQUI
Um comentário:
Grande Disco! Mas falta uma música, e há algo errado com os nomes.
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