
MANOEL GUSMÃO
O triunvirato de grandes contrabaixistas do "Beco-das-garrafas" era composto por Tião Neto, Octavio Bailly e Manoel Gusmão. Deles, para o meu gosto, o melhor era o Gusmão, falecido há poucos anos. Além de contrabaixo, "Gusma" tocava piano e cantava muito bem. Adorava os trios de Nat 'King' Cole e Page Cavanaugh, com piano-baixo-guitarra. Por volta de 1980 Manoel Gusmão foi morar em Petrópolis, onde conheceu, se apaixou e casou com Aparecida, sua grande companheira até o fim dos seus dias. Morou por lá um bom tempo, assumiu a direção de um bar - "O MEETING", que a exemplo do "Breguet's" de João Donato e Edison Machado, teve vida curta e grandes histórias. (Músico, definitivamente, não tem talento pra comércio). Formamos um trio no modelo que Gusmâo tanto apreciava: ele cantava e tocava contrabaixo, Chiquinho Botelho no piano e eu mesmo, na guitarra. Uma noite Gusmão estava cantando 'My one and only love', e um bêbado chato estava atrapalhando, falando alto, gargalhando. Gusmão parou de cantar, encostou o contrabaixo, pegou o 'bebum' pelo braço, levou até a porta e com um sonoro ponta-pé na bunda expulsou do recinto o inconveniente comensal. A mulher do cara veio reclamar, dizendo serem fregueses assíduos. Gusmâo, de 'bate-pronto' mandou: "Eram
fregueses, minha senhora, ERAM! A casa está sob nova direção". Dito isto, placidamente voltou ao contrabaixo e prosseguiu: "The very thought of you makes my heart sing, like an April breeze on the wings of spring, and you appear in all your splendour, my one and only love..." Esse era o grande "Gusma". Descanse em paz meu querido amigo.
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J.T. MEIRELLES
João Theodoro Meirelles nasceu no Rio de Janeiro em 1940 e iniciou sua carreira profissional aos 17 anos de idade, tocando saxofone no conjunto de João Donato. Em seguida, mudou-se para São Paulo (SP), onde atuou com o pianista Luís Loy.
De volta ao Rio de Janeiro, formou, em 1963, juntamente com Manuel Gusmão (baixo), Luiz Carlos Vinhas (piano), Dom Um Romão (bateria) e Pedro Paulo (trumpete), o grupo instrumental Copa 5, com o qual se apresentou no Bottle's Bar do Beco das Garrafas (RJ), executando suas próprias composições. Nesse ano, escreveu o arranjo musical da gravação original de "Mas que nada", primeiro grande sucesso de Jorge Ben (hoje Jorge Benjor). Em 1964, gravou, com o Copa 5, o LP "O som", disco que viria a ser considerado um marco no estilo samba-jazz. Meirelles é portador de um alentado "curriculum vitae" como músico, compositor, arranjador, e professor de programação musical computadorizada, edição gráfica, impressão musical, improvisação e arranjos midi, tendo tido entre seus alunos músicos como Mauro Senise, Cacau, Raul Mascarenhas, Zé Nogueira e Nilson Matta, Aécio Flávio, Osmar Milito, Ely Arcoverde,
Edson Lobo e Adriano Giffoni, entre outros. Por alguns anos, desgostoso com os rumos da música no Brasil, encerrou sua carreira, vendeu o instrumento e, por um bom tempo, dedicou-se tão somente ao magistério. Felizmente, arrependeu-se, comprou outro sax e voltou á atividade. Em 2005 lançou seu mais recente álbum, que será postado aqui.
(*)As partituras originais de Meirelles estão disponíveis em seu site: http://www.meirelleseoscopa5.cjb.net
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J.T. MEIRELLES
Born in Rio de Janeiro in 1940, Joâo Theodoro Meirelles is a very tallented and
Brazilian jazz musician. Beside playing flute and saxophones, Meirelles is a skilled
arranger and composer. In the 60´s he assembled this 'dream team' and formed the combo entitled 'Meirelles & Copa 5'. They used to perform at the 'Bottles', the legendary bar at Rio de Janeiro, considered as the birthplace of samba-jazz. (It is as important to samba-jazz as the newyorker 'Minton's" to jazz history). The group gorgeously delivers some themes composed by Meirelles, which are considered as hymns of 'hard-bossa-nova" (or samba-jazz) style. This is a landmark, a 'must listen to' album. AMAZING!
(*) Plus three bonus tracks, excerpt from the second album recorded by Meirelles.
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COMENTÁRIOS SOBRE O ÁLBUM:
Poucos álbuns podem ser creditados como marcos iniciais exatos deste ou daquele gênero. Mas já parece haver um consenso que este O Som, disco de estréia do grupo Meirelles & Os Copa 5, é a "pedra de Rosetta" do samba-jazz, fusão da fluidez jazzistica com o drive ritmico do samba - um som único, elegante, juntando o melhor de dois mundos. E que - também por ser filho indireto da bossa nova - transformou-se em um dos estilos de música brasileira mais apreciados mundo afora. Em grande parte, por causa deste disco. O álbum, gravado em 1964, reúne o saxofonista J.T.Meirelles com um quarteto de literais monstros: Manuel Gusmão (baixo), Luiz Carlos Vinhas (piano), Dom Um Romão (bateria) e Pedro Paulo (baixo). Sua edição original, com seis faixas, tornou-se um dos mais cultuados álbuns de jazz dos anos 60; este novo CD
ganhou outras três faixas (tiradas do LP seguinte do grupo, O Novo Som), com uma outra formação - que incluía ninguém menos que Roberto Menescal no violão, Walter Blanco na guitarra e Eumir Deodato no piano. O suingue é impecável em faixas como Quintessência e Blue Bottle's (com um inspirado solo de Vinhas ao piano) O samba-jazz em estado mais puro manifesta-se em Nordeste, que incorpora com leveza a levada do baião ao envolvente instrumental do grupo; e também na bela Tânia. Há uma sugestão de melancolia em Solitude, que começa em tons menores e depois evolui para um balanço macio, assim como em Contemplação - que, num clima "a la Bill Evans" como o próprio Meirelles descreve no encarte, atinge o máximo da sutileza de performance de todo o álbum. Nas faixas-bônus, todas bem mais curtas que as do O Som original, o pique é
outro: as performances são mais animadas, e a incorporação do suingue sambístico ao som do grupo é bem mais intensa. O resultado é dançante, cheio de leveza - o tipo de som pelo qual os jovens DJs londrinos se babam... A colorida melodia tema de O Novo Som contrapõe-se à "lenha" baixada em Solo e Serelepe, complementando muito bem o conjunto do álbum original.
(Marco Antonio Barbosa em cliquemusic.com.br)
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MINHA OPINIÃO - este é, como conta o excelente comentarista Marco Antonio Barbosa aí em cima, o marco inicial do 'samba-jazz' que, como temos acompanhado nas recentes postagens, nos deixou um legado de preciosidades. Por exemplo: QUINTESSÊNCIA foi gravada por TODO MUNDO e em qualquer 'samba-jazz-session' era peça obrigatória. Este álbum é uma obra-prima e, como tal, dispensa conversa fiada. É OURO PURO, EM PÓ OU EM BARRAS, tanto faz.
(*) Nesta cópia foram aduzidas três faixas bônus, do segundo álbum de Meirelles, intitulado 'O novo som de Meirelles e os Copa 5".
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MEIRELLES & OS COPA 5: O SOM
PERSONNEL:
J. T. Meirelles (sax)
Manuel Gusmão (baixo)
Luiz Carlos Vinhas (piano)
Dom Um Romão (bateria)
Pedro Paulo (trumpete)
(*)Bonus tracks:
Eumir Deodato - piano
Roberto Menescal - spanish guitar
Waltel Blanco - guitar
TRACKS/FAIXAS
01.Quintessência
02.Solitude
03.Blue bottle's
04.Nordeste
05.Contemplação
06.Tânia
07.O novo som (*)
08.Solo (*)
09. Serelepe(*)
DOWNLOAD: AQUI
3 comentários:
CB,
O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A POSTAGEM DE "O SOM" DO J. T. MEIRELLES & OS COPA 5? NÃO CONSIGO BAIXAR.
UM ABRAÇO. GRANDE BLOG. PARABÉNS.
Begonça.
Benício,
Como vc. deve saber, existe uma guerra declarada entre os detentores dos direitos autorais e os blogs - alguns foram fechados por conta disso.
Provavelmente o arquivo foi deletado pelo hospedeiro. Vou verificar e - dependendo do motivo alegado, posso ou não subir de novo. Atualmente, todo cuidado é pouco.
Abraço,
CB
Benicio,
Confira as configurações do seu navegador, pois o link está funcionando perfeitamente.
Às vezes o Mediafire prega algumas peças - é comum acontecer.
Abraço
CB
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