
BOSSACUCANOVA
O Bossacucanova é um projeto que virou banda. Tudo começou nos estúdios da Albatroz, onde Márcio Menescal, Alexandre Moreira e Marcelinho Da Lua eram técnicos de estúdio e cuidavam da gravação de discos de nomes célebres da bossa-nova. Um dia, veio a idéia de fazer um remix de uma gravação de Só Danço Samba, dos Cariocas. "O lance era ver se os artistas gostavam. E a receptividade foi maravilhosa", conta
Marcio Menescal. Fizeram o mesmo com gravações de Menescal (Barquinho), Carlos Lyra (Influência do Jazz e Maria Moita, Wanda Sá (Meditação),
Sylvio César (Consolação) e Cláudia Telles (Samba de uma Nota Só). De repente, eles tinham material suficiente para um disco, que foi lançado em 1997, sem grande repercussão, pela Cucamonga. As coisas começaram a acontecer em 1998, quando o rapper Marcelo D2, do Planet Hemp, foi a Nova York mixar seu disco solo (Eu Tiro é Onda ) e mostrou o Bossacucanova Vol.1 para o produtor Béco Dranoff, da Red Hot
Organization - ele ficou fascinado e resolveu que aquele seria o primeiro lançamento de seu selo, Ziriguiboom. Com isso as portas se abriram para o BCN, tanto nos USA quanto na Europa e... o resto é história.
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BOSSACUCANOVA
Bossacucanova is a Brazilian musical group. The group combines traditional bossa nova with electronica. The group is most notable for having been nominated for a Latin Grammy award in 2002 for Best Brazilian Contemporary Pop Album for their album Brasilidade. Among the group's permanent members is Márcio Menescal, son of bossa nova pioneer Roberto Menescal, who appeared on the Brasilidade album.
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O PROCESSO CRIATIVO DO BOSSACUCANOVA
Este texto foi produzido por meu afilhado FLAVIO MENDES, guitarrista da atual formação do Bossacucanova. Nele, Flavinho nos conta como foi produzido o "Brasilidade"; Com a palavra, Flavio Mendes:
O disco Brasilidade foi o primeiro disco do Bossacucanova pensado como um grupo, que se apresenta, faz shows. O primeiro disco do BCN, o Revisited Classics, era um disco de remixes, não existia um grupo que se reunia pra levar o som - como é o mais comum em grupos de rock, pop, choro, samba, etc. Eram 5 sócios de um selo chamado Cucamonga, que seria uma espécie de "selo de música jovem" dentro da Albatroz. 3 deles eram técnicos de som (Marcio Menescal, Alexandre Moreira e Bernardo Bittencourt) e 2 eram assistentes de estúdio (Marcelinho DaLua e Dado Brother). Numa viagem aos EUA para uma feira de equipamentos eles tiveram contato com um "movimento" que era chamado de Acid Jazz e conheceram alguns grupos que estavam fazendo um sucesso comercial com remixes de clássicos do Jazz. O mais famoso desses grupos se chamava Us3, e, com a ajuda do catálogo da Blue Note, fizeram pelo menos um hit mundial: a versão remixada de Cantaloup Island. E eles tiveram a seguinte idéia: porque não fazemos o mesmo com a Bossa Nova? os 5 trabalhavam na Albatroz, que tinha um catálogo extenso de gravações de BN feitas pelos papas do movimento (ainda que fossem regravações, recentes), era só tentar inserir uns loops, umas batidas, e ver no que iria dar. Nessa mesma viagem eles trouxeram um equipamento digital de 4 canais, na época fantástico mas pouquíssimos anos depois um ferro velho com o seu HD de 1 GB, e usavam os recursos de copiar e colar para fazerem os
remixes, que mostravam para os artistas originais e todos, aparentemente, gostaram muito de ver as suas versões com um balanço novo, completamente diferente e original.
Lançaram o disco, fizeram uma capa horrorosa - que depois foi substituída, e a verdade é que não vendeu nada, ninguém deu bola, ninguém ouviu, e nem mesmo o Ray e o Menesca achavam que aquilo iria pra frente. Mas um amigo do Marcelinho, o Marcelo D2, levou esse disco pros EUA e mostrou pra um produtor brasileiro radicado lá, o Beco Drannof, que já tinha produzido algo parecido, um projeto chamado Red Hot Rio.
O cara gostou muito, arrumou distribuição nos EUA e na europa com os mesmos selos
que estavam lançando a Bebel Gilberto e aí o trabalho deslanchou mundo afora.
Mas eles não eram uma banda, e ter uma banda pra correr o mundo era essencial para divulgar o trabalho do grupo. E Marcio tocava baixo, o Alexandre tocava teclado, o Marcelinho já tinha virado Dj e se defenderia com os scratches, daí chamaram um percussionista, uma cantora e uma pessoa pra comandar musicalmente todo o processo, tocar guitarra e ainda dar um aval fortíssimo: o pai do Marcio, Roberto Menescal.
E aí começa a ser feito o disco Brasilidade, como uma parceria do Menescal com os garotos do BCN, e feito pra virar um disco de uma banda que passou a existir e circular muito pelo mundo, quase nunca se apresentando no Brasil. Compuseram juntos um tema inédito, Brasilidade (e o Equale está lá dando uma força no coro),
e o disco é basicamente instrumental, calcado na guitarra solo e na voz do Menescal, mas com poucas músicas apresentadas com letra (radicalmente diferente do disco seguinte, Uma batida diferente, todo cantado, muito em função da Cris Dellano se efetivar nos vocais da banda em shows). O processo de feitura dos arranjos desse disco se conduzia assim: depois de escolhido o repertório o Menescal gravava, apenas
com o click, o violão, a harmonia da música, e solava a melodia. E aí entrava o trabalho dos 3 remanescentes do grupo original: eles subvertiam as formas das músicas, criavam intermezzos, introduções, mas com uma cabeça diferente do que um músico faria, tinham muito em mente (e assim trabalhavam) como se trabalha
em um remix. E tocavam também, além de convidar muitos músicos pra participar do disco. Mas se não existissem os recurso de edição no computador, não-linear, esse disco não existiria. Por exemplo, em Rio: é muito interessante como eles pegaram a harmonia do final da música ("por isso é que o meu Rio..." etc) e fizeram
uma introdução que eu duvido que algum músico fosse pensar em escrever, e para o meu gosto é bem legal pela surpresa: Gm7 C7(9) | Bbm7 Eb7(9) - e aí volta sem "explicação" nenhuma pra | Gm7 C7(9) | Bbm7 Eb7(9 | Am7 D7(b9) | Gm7. Isso foi feito com o copy/paste no pro tools, é quase um remix feito sobre uma faixa que não existia! Outro dado interessante no som do disco é que eles não usaram nenhum plugin e nenhum hardware para os reverbs do disco: como eles mixaram o disco na Albatroz, que tinha recém-construído uma casa e ainda estava toda vazia de móveis, eles usavam uma sala vazia, colocavam uma caixa de som e microfonavam a ambiência, como uma sala de eco antiga. Se eles quisessem um reverb mais longo afastavam o microfone e
assim sucessivamente. E tinham que fazer tudo de madrugada!
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MINHA OPINIÃO - o "groove" particularissimo do Bossacucanova é sensacional. Uma mistura de bossa nova com salsa altamente instigante. Por um daqueles fenômenos tipicamente brasileiros, o Bossacucanova faz sucesso no exterior - principalmente na Europa - enquanto permanece incógnito e obscuro no Brasil. Atualmente o seu guitarrista é Flávio Mendes e a cantora Chris Delano se tornou efetiva no grupo.
Os arranjos são muito criativos e ousados, injetando sangue novo nos temas da bossa-nova por eles recriados. OURO EM PÓ
BOSSACUCANOVA - BRASILIDADE
PERSONNEL
*BossaCucaNova
Roberto Menescal - vocals, acoustic & electric guitars
Alexandre Moreira - keyboards, programming
Marcio Menescal - bass, programming
Marcelinho DaLua - programming, scratches
*Special guests
Ed Motta, Cris Delanno - vocals
Pascoal Perrota's - Company strings
Rodrigo Sha - flute
Leo Gandelman - saxophone
Altayr Martins - trumpet
Adriano Giffone - acoustic bass
Ali-Z - drums
Dado Brother - tambora
Raymundo Bittencourt - bongos
Reginaldo Vargas, Laudyr De Oliveira - percussion
TRACKS/FAIXAS
1.Telefone
2. Nana
3. Rio
4. Guanabara
5. Agua De Beber
6. Garota De Ipenema
7. A Morte De Um Deus De Sal
8. Brasilidade
9. Surfboard
10. Nos E O Mar
11. Mais Perto Do Mar
12. Bye Bye Brasil
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